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França aumenta sinais de guerra contra Estado Islâmico após atentados

Depois do presidente François Hollande, primeiro-ministro, Manuel Valls, promete "destruir" o Estado Islâmico; ministro da Defesa diz que grupo terrorista será combatido em todo lugar

 

As mais altas autoridades do governo da França intensificaram nas últimas horas os sinais de que o país vai mesmo partir para a guerra contra o grupo terrorista Estado Islâmico. O envio de tropas de terra ao norte da Síria e ao Iraque ainda não foi oficialmente evocado, mas a escalada de declarações feitas pelo presidente, François Hollande, pelo premiê, Manuel Valls, e pelo ministro da Defesa, Jean-Yves Le Drian, indicam que a decisão é cada vez mais iminente.

Depois de Hollande, que na manhã de domingo classificou os atentados de 13 de novembro como "atos de guerra", afirmando que o Estado Islâmico seria combatido "sem piedade", à noite o primeiro-ministro, Manuel Valls, afirmou à rede de TV TF1 que a França "está em guerra. "E porque nós estamos em guerra, tomaremos as medidas excepcionais e atingiremos este inimigo até destruí-lo, aqui na França, na Europa, mas também na Síria e no Iraque", advertiu.

Jean-Yves Le Drian, ministro da Defesa, reforçou que os ataques de Paris organiza a contra-ofensiva. "A França foi atingida por um ato de guerra", afirmou, empregando a mesma retórica de Hollande. "Daesh (sigla árabe para Estado Islâmico) é um verdadeiro exército terrorista e nós devemos combatê-lo em todo lugar sem descanso. É o conjunto das capacidades de Daesh que nós devemos visar."

Há pouco mais de dois anos, o governo de Hollande foi o que mais pressionou por uma intervenção militar por terra por parte de uma coalizão ocidental, à época para depor o presidente da Síria, Bashar Assad, quando se descobriu o emprego de armas químicas contra a oposição armada. Em 27 de agosto de 2013, Hollande fez um discurso a diplomatas franceses no qual afirmou: "O massacre químico de Damas não pode ficar sem resposta. A França está pronta a punir aqueles que tomaram a decisão infame de matar inocentes a gás".

Essas declarações foram feitas quando o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, também se preparavam para a guerra. Hollande chegou a receber a autorização do Parlamento para enviar tropas de solo à região, em uma coalizão ocidental. Mas o Parlamento britânico recusou a mesma autorização a Cameron, e Obama decidiu não submeter o pedido ao seu Congresso. Com isso a aliança acabou se limitando a ataques aéreos que o comando das Forças Armadas na França consideram insuficientes.

O governo aguarda o término das discussões diplomáticas em curso desde sábado em Viena, na Áustria, onde chanceleres da França, da Grã-Bretanha, dos Estados Unidos, da Turquia e da Arábia Saudita, de um lado, e de Rússia e Irã, de outro, tentam chegar a um acordo para uma transição política na Síria. Esse acordo pode abrir caminho para uma resolução do Conselho das Nações Unidas (ONU) para uma intervenção por terra. Ao Estado, um dos conselheiros diplomáticos do governo francês afirmou que a França não partirá para a guerra sozinha, mas não descartou que uma coalizão internacional seja formada para realizar a ofensiva.

Neste domingo Hollande reunirá mais uma vez o Conselho de Defesa, formado por ministros e comandantes militares e de serviços secretos. E, na segunda-feira, fará um pronunciamento solene ao Parlamento, que será reunido de forma extraordinária no Palácio de Versalhes.

Da Redação
Via: Istoé

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