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Agricultor aposentado 'perde' seis filhos devido a seca histórica na PB

As mãos enrugadas e calejadas são a prova dos vários anos de trabalho pesado no campo. O peso do corpo hoje é sustentado pela bengala de madeira. Movimentos simples, como levantar e sentar-se são feitos com dificuldade e esforço. Foi enfrentando a forte seca no Cariri paraibano que o agricultor aposentado Dionísio Amador da Silva, 84 anos, já perdeu plantações inteiras, animais e viu todo o investimento de anos se tornar prejuízo. A maior das perdas não foi material: o idoso “perdeu” os seis filhos, todos em busca de melhores condições de vida em São Paulo.

Morando na zona rural de Monteiro – o maior município da Paraíba em território, com área de 1.009 km² – o agricultor aposentado teve seis filhos e todos deixaram a família para tentar melhorar de vida trabalhando no sudeste do Brasil, depois de ter prejuízos com a seca histórica que assola a Paraíba há cinco anos.

Hoje, cansado e com saudades, Dionísio vive sozinho com esposa. “Minha família mora toda pra São Paulo. Só tem eu e a mulher, sozinhos aqui. Foi todo mundo embora por causa da seca. A pessoa sobreviver aqui [durante a seca] é meio difícil”, disse ele.

Não tendo mais condições físicas para plantar ou criar animais, hoje ele e a esposa vivem apenas das aposentarias. “Eu cultivava, mas, hoje já não posso mais, com as pernas doentes. Eu sempre trabalhava na agricultura, mas agora não estou podendo mais”, conta Dionísio. Quando ainda tinha força para puxar o cabo da enxada, Dionísio platava verduras e legumes.

A chegada das águas da transposição do Rio São Francisco, ao município de Monteiro, trouxe um pouco de esperança de dias melhores para o aposentado. Apesar disso, ele acha pouco provável que os filhos deixem a estabilidade de empregos no sudeste para tentar voltar a cultivar na terra natal.

“Para mim representa [algo] bom porque era um sonho que se tinha há muito tempo. Ninguém acreditava que chegava essa água e hoje está sendo realizada. É uma boa oportunidade agora. A sorte que tivemos ainda são os poços, mas muitos já estavam secando”, explicou o aposentado.

O sítio onde ele mora fica a cerca de 20 quilômetros da área urbana de Monteiro, mas não há água encanada para a região. Apesar de não ser beneficiado diretamente, neste primeiro momento, com a chegada das águas do Rio São Francisco, ele se sente feliz por saber que outras pessoas vão receber. “Estou satisfeito em chegar para os outros. Chega pra gente também”, disse o aposentado.

Há cinco anos a Paraíba convive com a estiagem e por isso, várias cidades passam por racionamento no abastecimento de água há mais de dois anos, e outras que estão sendo abastecidas exclusivamente por carros-pipa.

O problema tem atingido cidades como Campina Grande, no Agreste paraibano, desde dezembro de 2014.

Açudes em situação crítica
A Paraíba tem 126 reservatórios hídricos monitorados pela Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa). Destes, 58 estão em situação crítica, com menos de 5% do volume, e 38 estão em observação, com volume inferior a 20% do total. De acordo com os dados da Aesa, há 16 açudes em colapso, completamente secos.

O açude de Epitácio Pessoa, conhecido como açude de Boqueirão, no Cariri paraibano, que abastece Campina Grande e outras 18 cidades, tem capacidade para armazenar até 411.686.287m³ de água e, na noite desta terça-feira (21) estava 13.901.308m³, o que equivale a 3,4% do volume total, segundo a Aesa. O açude ainda não recebeu as águas da tranposição do Rio São Francisco, pois a que chega a Monteiro precisa ainda passar por 150 km de rios.

A transposição
A viagem da água que leva esperança para os paraibanos sem água começa na cidade pernambucana de Petrolândia, a 429 quilômetros de Recife. A água é captada na barragem de Itaparica e segue por 208 quilômetros até a cidade de Monteiro, no Cariri paraibano. Na segunda-feira (20), a água chegou ao terceiro reservatório da Paraíba, o açude de Camalaú.

Na viagem entre Petrolândia e Monteiro, a água passa por seis estações elevatórias de água, cinco aquedutos, 23 segmentos de canais e ainda 12 reservatórios. A intenção da criação dos reservatórios é beneficiar as comunidades onde eles foram construídos e também garantir que a água não pare de correr pelos canais, caso seja necessário fazer algum reparo no trecho.

Os 12 reservatórios são: Areais, Braúnas (o maior deles, com capacidade para mais de 14 milhões de metros cúbicos de água), Mandantes, Salgueiro (5,2 milhões de m³), Muquem, Cacimba Nova, Bagres, Copití, Moxotó, Barreiro, Campo (o segundo maior com 8 milhões de m³) e Barro Branco.

G1

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