Pular para o conteúdo principal

Folha de S.Paulo destaca o Brejo Paraibano 'é um passeio pela cultura nordestina regado a cachaça'

Cabem quase cinco Paraíbas dentro do Estado de São Paulo. E o que já é pequeno se divide em muitas partes. O Estado nordestino está fatiado em 23 regiões, das quais o Brejo Paraibano é uma das mais interessantes.

Brejo, neste caso, não diz respeito a áreas pantanosas. O nome da região vem de "brejos de altitude", como são conhecidas as áreas altas do Nordeste onde prevalece um clima mais úmido.

Não são só as condições atmosféricas que distinguem o Brejo Paraibano. Ali, de modo muito particular, combinam-se casario colonial bem preservado, teatros históricos, bons alambiques e memoriais que lembram artistas e filhos ilustres da terra.

Por isso, numa viagem à Paraíba, vale a pena dedicar dois dias à região, que tem Areia como sua melhor representante. Situada no topo da serra da Borborema, a cidade de 20 mil habitantes fica a pouco mais de uma hora da capital, João Pessoa.

O lugar é um dos núcleos urbanos que se desenvolveram como ponto de passagem para os tropeiros que iam do sertão para o litoral da Paraíba, entre os séculos 18 e 20.

É desse passado, aliás, que vêm alguns dos principais atrativos da cidade: o conjunto histórico e urbanístico, formado por mais de 400 imóveis, tombado em 2006.

Em uma pequena casa que integra esse núcleo colonial, fica o museu dedicado a Pedro Américo, célebre pintor brasileiro do século 19.

Criador de obras como "Grito do Ipiranga", que pertence ao acervo do museu do Ipiranga, em São Paulo, ele nasceu em 1843 nessa casa de Areia, onde passou boa parte parte de sua infância.

Há só um quadro original em exibição, "Cristo Morto", pintado em 1901. As demais telas são réplicas. O mais surpreendente, no entanto, são as caricaturas que têm a família como tema. Mostram verve pouco conhecida do artista, associado a grandes episódios históricos.

A dez minutos está o teatro Minerva, o mais antigo da Paraíba, fundado em 1859. Com três níveis, a plateia apresenta razoável estado de preservação, mas o palco não –parte do tablado cedeu.

O fato é que esse miolo histórico revela mais seu charme em passeios a pé que em visitas a locais específicos, principalmente por causa do casario antigo, um dos mais preservados do Nordeste.

Nem tudo, no entanto, pode ser visitado após breves caminhadas. Na zona rural de Areia, a menos de dez minutos de carro, fica a Casa do Doce, com mais de 70 tipos.

Perto de lá, está o Engenho Triunfo, onde dá para acompanhar o processo de destilação e degustar as cachaças (é recomendável ligar para confirmar os horários; o telefone é 83/99931-9861).

Só em Areia existem 28 engenhos em atividade. Aliás, quando o assunto é produção de cachaça, a região do Brejo Paraibano é uma das referências no Nordeste.

JACKSON DO PANDEIRO

Em Alagoa Grande, a 18 km de Areia, está outro engenho aberto à visitação. É Lagoa Verde (tel. 83/99982-0407), onde se produz a Volúpia, cachaça premiada.

Mas há mais para conhecer por ali. Alagoa Grande é a cidade onde nasceu Jackson do Pandeiro, em 1919. O "rei do ritmo" se tornou famoso com músicas como "Chiclete com Banana".

No museu a ele dedicado, estão expostas roupas que usou em shows, cadernos com composições, entre outros itens. Os restos mortais de Jackson, que estavam no Rio, foram transferidos para o espaço em 2009 –o cantor morreu em 1982.

Também em Alagoa, a cinco minutos do museu, fica o teatro Santa Ignez, aberto em 1905 e mais bem preservado que o Minerva, em Areia.

O Brejo Paraibano é, em suma, uma passeio pelo passado da cultura nordestina. Regado a cachaça, claro.

Folha de S.Paulo

Comentários

As Mais Visitadas

Vergonha do que fizeram com Fábio Assunção

(Ou, sobre empatia, compaixão, solidariedade). ( Fabrício Carpinejar ) Fiquei chocado com os vídeos do ator Fábio Assunção estirado no chão e preso em viatura em Arcoverde (PE). Pasmo não por aquilo que ele fez, fora de si, mas pelo deboche de todos à volta, sóbrio e serenos, com consciência para ajudar e que não demonstraram nenhum interesse para socorrer e amparar alguém claramente necessitado e com dificuldades de se manter em pé e articular um raciocínio lógico. Em vez de ajudar, ridicularizavam o profissional em uma fase difícil da vida e apenas aumentavam a sua agressividade. Quem aqui já não bebeu além da conta e falou bobagem? Atiçar um bêbado é armar um circo de horrores, é se divertir com o sofrimento alheio, é renunciar à educação pelo bullying anônimo e selvagem de massa. Onde está a compaixão do país? O que ident...

Pá de terra e Pó de brita na história de Mari/PB, diz cidadão

Revista  Páginas -  Em publicação recente no Facebook, o cidadão Joseilton Souza, residente no município de Marí, na PB desde o ano de 1984 demonstrou uma preocupação grave no que se refere a história do município, após a Prefeitura Municipal aterrar a linha férrea antes do início da tradicional festa de São Sebastião.  Joseilton Souza, lamentou o fato, que para ele é uma destruição acelerada da história do município "Parte de nossa história que hoje é soterrada pela caçamba e pela patrol insanas, cheias de pó de brita, autorizada por quem não tem o mínimo respeito pelas raízes de nossa terra" Na ótica de Joseilton, a iniciativa da Prefeitura altera a história do município, a exposição dos trilhos representa mais do quê uma linha velha desativada, construída no passado. Para ele, a linha férrea faz parte da história dos marienses "Ela 'a linha do trem' foi inspiração de muitos artistas, fotografada e admirada por muitos turistas, pessoas que aqui estiveram e re...

Quadrilha é presa suspeita de usar bíblia como disfarce para assaltar empresário, na Paraíba

Nove pessoas foram presas, durante o fim de semana, suspeitas de participação em uma quadrilha que realizava assaltos, tentativa de sequestro e outros crimes na região do Brejo paraibano. Um deles iria usar uma bíblia para assaltar um empresário. Com eles, a polícia apreendeu uma submetralhadora e outras duas armas de fogo. De acordo com o delegado titular da 7ª Seccional de Polícia Civil, Walter Brandão, as prisões aconteceram após um levantamento de informações de que um bando estaria agindo na região de Mamanguape e também na área de Lagoa de Dentro, com a realização de assaltos e outros crimes. “Recebemos ligações do Disque Denúncia dando detalhes da ação de um grupo criminoso que articulava roubos e ainda estaria planejando um sequestro de um empresário e da família dele na cidade de Lagoa de Dentro. Para conseguir abordar as vítimas, um dos int...