Pular para o conteúdo principal

Corregedoria do Ministério Público apura venda de palestras de Dallagnol

Corregedoria Nacional do Ministério Público abriu procedimento para apurar a venda de palestras pelo procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba (PR).

O corregedor nacional Cláudio Henrique Portela do Rego vai analisar a representação feita pelos deputados federais do PT Paulo Pimenta (RS) e Wadih Damous (RJ) no começo desta semana e pode dar dez dias para manifestação de Dallagnol.

Se considerar que há irregularidades na conduta do procurador, Portela pode abrir uma sindicância ou um processo administrativo disciplinar, e levar o caso a julgamento. Do contrário, o corregedor pode arquivar a representação.

Não há prazo para que isso aconteça. De acordo com o CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), o corregedor participa de diligências no Estado de Goiás e só deve retornar a Brasília na próxima semana.

Loja Amazon">PublicidadeLoja Amazon

A polêmica entorno desse assunto foi revelada pela Folha, que mostrou que uma empresa de São Paulo comercializava, por meio de um site especializado, palestras do integrante da Lava Jato por preços entre R$ 30 mil a R$ 40 mil.

Depois disso, Dallagnol pediu para que a empresa retirasse as informações "imediatamente". Ele afirmou não ter contrato com a Motiveação –que dizia tê-lo em seu casting havia um ano– nem com outras agências.

A Motiveação inicialmente confirmou à coluna "Mônica Bergamo" o contrato com Deltan e disse que ele não tinha fechado ainda nenhuma palestra em razão da agenda cheia.

Depois, na página, onde constava o perfil do procurador, passou a informar que ela foi retirada do ar "pois não foi autorizada pelo palestrante e nem por sua equipe".

A empresa informou ainda que se retrata "por qualquer tipo de prejuízo e/ou situação que tenha vindo a causar ao Sr. Deltan Dallagnol e aproveitamos para deixar nosso apoio ao trabalho muito bem feito que o mesmo vem ajudando a tornar realidade e história em nosso país".

Uma das palestras dadas pelo procurador foi acompanhada pela Folha no último dia 14. Ele atendeu ao convite da ala paulista da SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica), que discutiu o mercado das operações estéticas. Ele falou sobre as operações judiciais que coordena.

Dallagnol foi remunerado pela atividade, mas a SBPC não informou a quantia.

Os deputados pediram na representação que o procurador apresente a lista dos clientes que contrataram suas palestras desde 2014, os respectivos valores e a declaração desses à Receita Federal.

Também requisitaram que ele dê à Corregedoria as contas bancárias onde foram depositados os valores, os repasses ao fundo de combate a corrupção e custas com servidores, além dos dados de pagamento de diárias nos dias das palestras. Na representação, eles também pedem o contrato com a Motiveação.

OUTRO LADO

Em nota, a assessoria do Ministério Público Federal do Paraná informou que resoluções do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) reconhecem que integrantes podem realizar atividade docente gratuita ou remunerada.

A Procuradoria informou ainda que a maioria das palestras prestadas para grandes públicos pelo procurador é gratuita e em 2016 os valores foram destinados para entidade filantrópica, no total de R$ 219 mil. O nome do hospital não foi informado.

Na nota, o procurador reafirmou que não autorizou a empresa Motiveação a divulgar suas palestras e que não tem contrato com ela. "O procurador analisa, caso a caso, a aceitação de palestras, independentemente de quem o procure ou intermedie", diz.

O Ministério Público informou que "é claramente descabido a reclamação dos deputados" e que o procedimento da Corregedoria é "apenas prévio para colher informações e não de um procedimento administrativo disciplinar."

Folha de S.Paulo

Comentários

As Mais Visitadas

Governador tem a fórmula para combater a violência: proibir venda de celulares e o uso da Internet na Paraíba

No capítulo da segurança pública, o Governo do Estado erra até quando acerta. Num dia em que o Governo deveria apenas comemorar a iniciativa de por mais de 500 homens da Polícia Militar nas ruas para combater a violência, eis que o Coronel Euller Chaves, comandante da PM, surpreende. Euller, não apenas exime o Governo da responsabilidade sobre a escalada de violência… Quer dizer, no seu entendimento, como de resto do próprio governador Ricardo Coutinho, o Governo não tem culpa. Quem tem culpa é o cidadão (!). Sim, o cidadão que, por exemplo, tem celular e… usa. Não deveria usar o aparelho, para não atrair bandido. Não é uma graça? Ora, ele poderia resolver esse problema, simplesmente expulsando as empresas de telefonia do Estado! Ou proibindo a venda de aparelhos no Estado. Hugo Chaves faria isso num abrir e fechar de olhos. O governador tem ampla maioria na Assembleia. Como tamb...

"FORA TEMER" é o grande grito do Carnaval 2017

No provavelmente mais político de todos os carnavais, os foliões, as bandas e os cantores entoaram, das ruas ou dos palcos, marchinhas criativas e cômicas sobre o atual momento brasileiro. Após um golpe parlamentar contra uma presidente honesta e diante de um País governado agora por um grupo diariamente alvo de denúncias de corrupção, o hit não podia ser outro que não 'Fora Temer'. A Globo tentou abafar os protestos em meio à folia, mas muitas vezes não foi possível, como no vídeo acima, em que a repórter do Jornal Hoje é obrigada a mostrar o imenso Fora Temer entoado no bairro do Bixiga, em São Paulo. Em outro ao vivo, um entrevistando se dizendo vir da Escócia disse ter ouvido muito "Fora Temer" nos bloquinhos e não compreendido. O cantor Tom Zé, autor de três músicas sobre a Lava Jato, criou uma canção sobre a "suruba" do governo e também pedido Fora Temer ...

Lula diz que situação de Temer é insustentável e defende eleição direta

Em encontro com líderes do PT e da oposição nesta quinta-feira (18), em São Paulo, o ex-presidente Lula afirmou que a situação de Michel Temer é “insustentável” à frente da Presidência da República. Diante desse cenário, Lula defendeu as eleições diretas. Afirmou ser a única maneira de o país sair da crise política. Ele, no entanto, descartou participar de uma eleição direta neste momento. Segundo presentes ao encontro, Lula afirmou que sua figura desperta “muito amor e ódio”, o que não é ideal para a ocasião. Informações de O Globo .