Pular para o conteúdo principal

Mulheres da Paraíba: árbitra de futebol vira resistência contra o machismo

Cantadas, olhares tortos, provocações e concorrência desleal. Estas são algumas barreiras que Flávia Renally precisa vencer em seu dia a dia profissional. Ela é árbitra de futebol, atua hoje como auxiliar de arbitragem, e tenta exercer seu ofício da forma mais correta possível, mas sofre com o preconceito de quem acha que este é um trabalho predominantemente masculino. A jovem de 24 anos exerce o ofício desde 2013, mas lamenta as agressões e as desconfianças à sua capacidade dentro de campo apenas pelo fato de ser mulher. Na verdade, ela diz que sofre preconceito até mesmo de seus colegas de profissão.

Os árbitros, em geral, são alvos constantes de críticas pesadas por parte das torcidas. Ninguém escapa. Mas a coisa fica mais grave quando uma mulher está em campo tomando decisões. Pois elas são sempre obrigadas a lidar frequentemente com os ataques.

Flávia admite que, apesar de tudo, tenta tirar algo positivo das avaliações que os torcedores fazem. Se errou, tenta acertar na próxima. Mas diante de tanto sexismo, desabafa:

- Não dá para ensinar respeito e educação para todo mundo. Os homens lhe veem como um “ser diferente” no meio deles. Ainda não são tão acostumados com a presença das mulheres. Eles acabam sempre sexualizando tudo - lamentou.
Dentro do núcleo de arbitragem, Flávia relata que no início percebeu alguns olhares desconfiados, seguidos de comentários como "será que ela é boa?" ou "devemos investir nela?". As dúvidas, segundo ela, não aconteceriam se fosse um homem querendo se firmar na profissão.

Apoio da família
Se fora de casa Flávia já passou por situações constrangedoras por ser uma mulher que vive no meio do futebol, em casa ao menos ela encontrou maior apoio. E diz que uma pessoa em especial foi essencial para ela não desistir. Flávia explica que entre um e outro familiar que se mostrava contra a decisão dela seguir na arbitragem, o seu pai, o árbitro amador Gilmar Faustino, a incentiva para que ela seguisse adiante em seu sonho.

Eu sempre fui consciente de que estaria no meio de cabeças machistas, de olhares tortos, de um mundo de concorrência totalmente desleal"
Flávia Renally, auxiliar de arbitragem
Ela diz que nunca cogitou deixar a profissão por causa de preconceitos, mas chegou a se questionar se teria "estômago" para viver algumas situações. Sempre consciente de todo o machismo que ainda é presente no futebol, Flávia conta que o que a move é o desafio de representar as mulheres em um espaço ainda tão masculino.

- Eu sempre fui consciente de que estaria no meio de cabeças machistas, de olhares tortos, de um mundo de concorrência totalmente desleal. Quando comecei realmente a viver dentro deste ambiente, muitas vezes me questionei se eu conseguiria lidar com algumas situações. Mas o desafio me move, a vontade de representar a minha classe, de mostrar que é possível, que a gente pode lutar pra ter um mundo diferente e que somos capazes de ser o que quisermos - disse.

Para as mulheres que desejam seguir na arbitragem, mas que a evitam por medo dos preconceitos, Flávia aconselha que sigam os seus sonhos:

- No caminho vai sempre ter muitas dificuldades, muitas barreiras. Muitas vezes você vai sentir raiva, mas essas mesmas raivas vão lhe jogar para a frente e te impulsionar a querer sempre mais. E nunca dependa das aprovações dos outros. Nunca vão te achar boa o suficiente, mas tenha sempre consciência de sua capacidade - finalizou.

GE

Comentários

As Mais Visitadas

Procuradoria da Câmara envia notícia crime contra Danilo Gentili à Polícia Federal

Depois de perder uma ação movida pelo jornalista Gilberto Dimenstein e ser obrigado a retirar as ofensas da internet, sob pena de multa, o apresentador do SBT, Danilo Gentili, é alvo agora de um pedido de investigação da Câmara dos Deputados. No último dia 31, a Procuradoria da Câmara enviou uma notícia crime à Polícia Federal solicitando que se investigue a conduta do “humorista” por conta do vídeo que gravou contra a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS). O ofício, assinado pelo procurador parlamentar da Casa, Carlos Marun (PMSB-MS) e pela própria Maria do Rosário, é destinado ao diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello.  De acordo com o documento, Gentili “extrapola do seu legítimo direito constitucional de manifestação” e agride “com atos e palavras”, não apenas a imagem da deputada Maria do Rosário, mas da Câm...

Jogador paraibano Fábio Bilica é preso mais uma vez acusado de não pagar pensão alimentícia

O jogador paraibano Fábio Bilica, ex-seleção brasileira, foi preso na manhã deste domingo (20) em Araçagi (PB), Região do Brejo paraibano, acusado de não pagar pensão alimentícia no valor de R$ 16.000,00 (Dezesseis mil reais). Em, julho de 2013 o jogador foi acusado de estuprar uma adolescente de 15 anos, dentro de um carro, no aeroporto internacional de Recife, o que foi negado pelo advogado do atleta, e que a relação teria ocorrido com o consentimento da garota. No ano 2000, quando jogava no futebol italiano Fábio foi preso acusado de corrupção de menores, e em 2009 voltou a ser preso no aeroporto de Recife, também acusado de não pagar pensão alimentícia. Bilica foi preso por agentes da polícia civil que deram cumprimento a um mandado de prisão em aberto expedido pela 7ª vara de família de João Pessoa. O jogador estava participando de um jogo com amigos em Araçagi...

Capitais registram panelaço contra projeto anticorrupção aprovado pela Câmara

Após o Senado rejeitar o requerimento que queria incluir na pauta do Casa a votação do pacote anticorrupção, foram registrados panelaços na noite desta quarta-feira contra a versão desfigurada do projeto aprovada pela Câmara, em vários bairros do Rio, de São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Niterói. No Rio, houve protesto em bairros da Zona Sul, como Jardim Botânico, Lagoa, Flamengo, Copacabana, Leme, Humaitá, Leblon, Laranjeiras e Ipanema. Também houve panelaço na Tijuca, na Zona Norte da cidade, e na Barra, Zona Oeste da capital. Em São Paulo, houve manifestação nos bairros de Pinheiros, Vila Madalena, Brooklin, Pompeia, Moema, Bela Vista e Jardins, entre outros bairros. Na internet, os manifestantes demonstraram durante todo o dia indignação com a postura dos deputados na madrugada desta quarta-feira em Brasília. O panelaço desta noite está sendo encarado nas re...